O desenvolvimento da personalidade na Perspectiva Cristã – por Ap. Dr. Thomé Tavares, PhD

Personalidade é o conjunto organizado dos padrões distintos do nosso comportamento, que são determinados por fatores genéticos, congênitos e por outros socialmente adquiridos, mas que fazem do sujeito uma pessoa única. Todos nós já herdamos nossa personalidade desde o nascimento, e isso é algo mais precioso criado por Deus para dirigirmos nossa vida.

Nossa personalidade é caracterizada por sua capacidade plástica de aperfeiçoamento, de mudanças, de adaptações e de transformações no decorrer de nossa existência, tanto do ponto de vista biológico quanto social. Considerando esse fator, desde a mais tenra idade somos educados e recebemos instruções no contexto da família, da escola e da Igreja, visando a nossa educação e o aprimoramento pessoal. É assim que a Palavra de Deus nos recomenda (Provérbios 22:6):

“… Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando ele envelhecer, não se desviará dele…”

O que há de mais significativo em nossa personalidade são os traços, em que alguns deles herdamos de nossos pais, e outros adquirimos através do convívio sócio-cultural. Os traços representam na realidade o que somos. É como se fossem a nossa fotografia, Entre os principais traços consideramos os Físicos, os Cognitivos, os Temperamentais e o Caráter. Os traços Físicos, diz respeito ao nosso peso, à nossa altura, à cor da nossa pele. Nem todos nascem perfeito, e quando isso acontece, haverá problemas de personalidade. Os traços Cognitivos,representam a nossa herança intelectual, com o nosso talento e criatividade. Alguns nascem superdotados, com altas habilidades, e outros com déficits cognitivos, com deficiência mental e dificuldades de aprendizagem. Os traços Temperamentais se refere à qualidade de vida emocional da pessoa, e representa toda a sua herança neurológica, que é inata, transmitida dos pais para os filhos. Muitas pessoas já nascem com tendências impulsivas para a agressividade, e outras com tendências compulsivas para serem dependentes de álcool, de drogas, de fumo, de sexo, e por toda a vida são inadaptadas consigo, com os outros e com o mundo.

Caráter,é um outro traço que diz respeito à qualidade de vida condutual das pessoas. Esse traço é influenciado pelo temperamento, mas na maior parte, a sua qualidade é adquirida através do meio social onde o sujeito vive, pois o caráter pode ser bom ou mau. Aqui no Brasil, é comum sabermos da corrupção entre a classe política, como também a violência urbana é arregimentada por pessoas de mau caráter que roubam, que mentem, que assaltam e que não respeitam os direitos dos outros.

No ramo científico, há muitas teorias Culturalistas, Comportamentalistas, Cognitivistas, Psicanalíticas e Gestaltistas entre outras que procuram dar melhores explicações sobre o funcionamento da personalidade, como a Teoria Psicanalítica de Freud (1904), que classifica a personalidade entre Id, Ego e Superego. Explicando que o sujeito vive sempre em conflito, tentando controlar os impulsos biológicos do Id, que representa a força dos impulsos instintivos, tais como a fome, a sede, o sono, o sexo e todos os seus desejos para o prazer e que nem sempre são aceitáveis no meio social. O Ego é a representação da própria consciência ou da razão, que é reforçada pelo Superego, que é um catalisador de controle e equilíbrio, e que funciona como um instrumento educativo para reforçar o ego, e como censor do id.

É bom que se diga que, nossa personalidade sofre profundas influências espirituais. Quando Deus preparava o seu povo no deserto, entregou a Moisés, princípios Legais em forma de Lei Espiritual, como os 10 mandamentos, que era uma tentativa de manter o controle social da personalidade humana, sempre predispostas ao desvio social. Todos os Reis de Israel que tinha problemas de personalidade, levavam a nação à ruína, e assim eram entregues nas mãos dos inimigos. Segundo os relatos bíblicos de Juízes 6 e 7, os Israelitas fizeram o que era mau perante o Senhor, e durante 7 (sete) anos, o Senhor os entregou nas mãos dos Medianitas, que saqueavam suas lavouras, que matavam suas criações, que roubavam suas riquezas e assim o povo ia se empobrecendo dia após dia. Quando Deus levantou Gideão para libertar o povo, estabeleceu critérios de mensuração da personalidade, selecionando homens de boa índole, que seriam capaz de serem usados pelo poder do Espírito Santo para derrotar seus adversários. Dos 32 mil homens apresentados por Gideão, 31.970 foram eliminados por apresentarem problemas temperamentais e de caráter, pois eram pessoas tímidas, medrosas e covardes, imprestáveis para a obra de Deus, e apenas 300 estavam preparados para a peleja.

O Ministério de Jesus foi estabelecido através do discipulado para o aperfeiçoamento da personalidade, tanto assim que, sua primeira mensagem dirigida aos homens foi:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu, para evangelizar aos pobres. Enviou-me para apregoar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos e anunciar o ano aceitável do Senhor”.(Lucas 4:18-19).

Jesus dedicou (3) três anos de seu ministério para aperfeiçoar a personalidade de seus (12) doze discípulos, e nisso investiu tempo, ensino, instruções, oração, e acompanhamento diário. Em Mateus 12:1-12 Ele traçou perfil preferencial daqueles que estariam prontos para a obra apostólica como discípulos, e chamou de bem-aventurado os mansos, os humilde, os pacificadores, os limpos e quebrantados de coração, e os que tem fome e sede de justiça.

O Apóstolo Paulo considera as influências espirituais na atuam na personalidade do homem. Em Gálatas 5:17 reconhece a luta que se trava dentro de nós entre a carne e o espírito. Na realidade é uma batalha polarizada de vida ou morte, e há fortes influências satânicas nessa peleja.

O alvo demoníaco é de demolir a personalidade do homem, não só com o intuito de oprimir, mas de possuir, e finalmente de destruir (João 10:10). Na sua epístola escrita aos Gálatas 5:19-21, o Apóstolo classifica o lixo satânico que é colocado como desvios da personalidade, descritos como obras da carne:

“… As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porias, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, e os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”.

Essa forte influência satânica é tão evidente, que o Apóstolo Paulo tem uma antevisão do que ocorre nesses últimos dias, em que os demônios hierarquizados, colocam como prioridade a destruição dos homens e da mutilação de sua pessoa, conforme a Palavra de Deus nos descreve em II Timóteo 3:1-5

“… Sabe porém isto que: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeição natural, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhes o poder. Afasta-te também destes”.

Em sua obra intitulada “A Demolição do Homem”, Konrad Lorenz (1986), filósofo, psicanalista e etologista, em seu ensaio, descreve o mal estar da nossa cultura, considera as falhas de padrões comportamentais da personalidade do homem moderno, e o desencaminhamento do espírito humano, em que a própria modernidade o alienou. Como bem sabemos, a obra salvífica e redendora através do Senhor Jesus e que deixou comissionado à sua Igreja, é de salvar os homens da perdição eterna. Estamos assim inteirados que o aparelho ideológico de educação do homem falhou em sua missão educativa tais como a Família que se desagregou; a Escola que se perdeu em meio à uma pedagogia permissiva e licenciadora dos costumes morais; o Estado e a própria sociedade que se tornaram perdulárias em meio à crise da corrupção que envolve os setores de proteção ao cidadão, como os órgãos legislativos, jurídicos e militares.

A Igreja em nossos dias é a única e última Instituição comprometida com a salvação do homem, e para isso os crentes precisam se mostrar sadios, ajustados e sarados, tais como as recomendações de Paulo em Colossenses 1:22 “Agora, contudo vos reconciliou no corpo de sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis”.

A obra de restauração da personalidade, não é de competência de nenhuma técnica psicoterápica, mas da atuação do Espírito Santo, que ao convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), o converte a Jesus Cristo, e transforma o seu corpo em Tabernáculo de Deus ( I Cor. 6:19), e que restaura a sua personalidade através dos frutos que regeneram completamente todos os seus traços individuais, conforme relato em Gálatas 5:22-24, como diz:

“… Mas o fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências…”

É tempo da Igreja assumir essa posição de vanguarda entre as instituições sociais, e de desenvolver um ministério de cura e libertação, alinhados com a mesma visão messiânica (Lucas 4:18-19).

 

 

Referências Bibliográficas: 

FADIMAN, James. FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. São Paulo: Harbra, 1990.

LINDZEY, G., HALL, C.S., Teorias da Personalidade. São Paulo: EPU, 1966.

LORENZ, Konrad. A Demolição do Homem”. São Paulo. Editora Brasiliense, 1997.

 
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