Religiosidade: da intolerância à ostentação social – Ap. Dr. Thomé Tavares, PhD

Desde a Grécia Antiga que se opina acerca do comportamento religioso, e as explicações foram dadas inicialmente pela Filosofia, em que se justificava a preocupação do homem com a origem do universo, além da necessidade do mesmo encontrar sentido para a sua existência.

 A religião encontrou o seu espaço no campo da Filosofia, sendo enquadrada como um sistema da Metafísica, que por sinal sempre foi muito questionada pelos Cientistas da época, a exemplo de Augusto Comte (1798-1857), criador do Positivismo – doutrina filosófica que reconhece somente os fenômenos e fatos naturais observáveis de forma objetiva, que reforçada pelo Materialismo, explica os fatos do universo em termos físicos pela experiência e natureza da matéria.
 

No decorrer da história a religião veio se institucionalizar à partir da criação do Vaticano como Estado, organizando-se em fortíssima corporação oligárquica, com influências políticas e econômicas na sociedade, a exemplo da religião mulçumana que vivencia um regime teocrático, interferindo diretamente na vida estatal.

Considerado como um País Cristão, a religião Católica chegou no Brasil com os descobridores portugueses, que aqui celebraram a 1ª missa na Bahia, e depois com o regime da escravatura, vieram também muitas religiões afros que se espalharam entre as regiões do nordeste e sudeste. Uma outra influência da religiosidade no Brasil se deu com a chegada dos missionários norte-americanos, tanto das Missões Católicas quanto Protestantes, que no decorrer da história evangelizavam os brancos nativos e os índios.

Separadas do Estado e desfrutando de autonomia para o seu funcionamento, as Denominações foram crescendo e algumas se dividindo, como produto das Renovações Carismáticas e Espirituais, fazendo surgir assim um outro seguimento da linha Pentecostal, e recentemente os movimentos Neo-Pentecostais, que explorando a motivação mística do povo latino e as necessidades sociais das populações marginais, rapidamente se espalharam e se multiplicaram em todo o território nacional. Tal diversidade entre essas raízes religiosas no Brasil, fez surgir diferentes práticas e formas litúrgicas, se adequando à cultura brasileira, fazendo surgir assim o fenômeno social da intolerância e da discriminação entre si, mesmo considerando que muitos desses grupos são de origem cristã. A intolerância chega mesmo ao extremo do separatismo e até de brigas na justiça pela posse dos templos.

Como exemplo, os evangélicos da linha tradicional não toleram os evangélicos da linha renovada; os evangélicos de um modo geral consideram os católicos idólatras e irremediavelmente perdidos do ponto de vista de sua salvação espiritual, e todos satanizam as religiões afros. Mais recentemente, o Papa Bento XIV declarou que a única Religião que detém a verdade é a Católica.

À partir dessas divergências se pergunta, onde está a verdade? Se somos um País eminentemente Cristão, é evidente que a verdade está em Jesus Cristo, o fundador da Igreja. Se falamos em verdade, é notório que se constate erros primários que são cometidos em meio à liderança religiosa de nosso País, onde muitos Grupos Religiosos se transformaram em verdadeiras e poderosas Oligarquias Políticas e Econômicas, com representações parlamentares nos Estados, na Câmara e no Senado em Brasília, além do uso da Mídia (Rádio, Jornal e Televisão), que servem como correias para a conquista do rebanho e de manutenção desses Grupos Oligárquicos no poder, cuja Liderança em sua maioria adotam um regime ditatorial, que mantém os privilégios nepósticos entre seus famíliares, cujos governos eclesiais são vitalícios por interesses meramente financeiros e empregadícios. Podemos constatar que grande parte do rebanho que mantém financeiramente esses grupos é constituído por famílias de baixa renda, e que a grande maioria vivem bem abaixo da linha da pobreza.

A ostentação social oriunda da religiosidade não era o estilo de vida do Senhor Jesus, que ensinou aos seus discípulos uma vida simples e sem a ganância financeira. No Evangelho de Mateus, no capítulo 10, versos 7 a 11, Ele assegurou:

… Ide pregai dizendo: É chegado o Reino de Deus! Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça daí. Não possuais ouro nem prata, nem cobre em vossos cintos; nem alforges para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão, porque digno é o obreiro do seu alimento. E em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno e hospedai-vos até que vos retireis.”.

Em sua época, Jesus abominou a religiosidade burguesa, representada pelos Escribas e Fariseus, taxando-os de “raça de víboras, geração perversa, falsos e sepulcros caiados” (Mateus 3:7), e disse que “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus” (Lucas 18:25). De certo que hoje, Jesus Cristo, como fundador da Igreja Cristã, rejeita essa prática e estilo das grandes lideranças que detém a hegemonia religiosa no Brasil, e seu desejo é de purificar o templo, como expulsou os que queriam transformar a Igreja em comércio, derrubando as mesas dos cambistas, conforme se registra em Mateus 21:13, “E disse-lhes, como está escrito: A minha casa será chamada Casa de Oração. Mas vós tendes convertidos em covil de ladrões”.

Frente a esse cenário, se pergunta: O que fazer? Nossa alternativa, como crentes, é de aguardarmos a Segunda Vinda de Jesus, que virá como Juiz, separar o trigo do joio, e para sempre estabelecer o Seu Reinado numa Nova Terra. E estarão de fora “ os abomináveis, os idólatras, e todos os mentirosos, e a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre”. (Apocalipse 21:8).

 

REFERENCIAS 

SCHULTZ, Duane P. SCHULTZ, Sydney Ellen. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Thmson Learning Edições. 2006.

BIBLIA de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro. CPAD, 2006.

 
 
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